Ainda sobre a vitória de Trump e a mesquinhice do casal Obama

Não há como esquivá-lo. É o assunto do momento, mundialmente falando: a eleição, algo surpreendente, de Donald Trump, o magnata do imobiliário. Que não haja dúvidas de que a campanha eleitoral, que culminou com a vitória de Trump, foi a mais renhida desta velha democracia americana. De tudo foi dito para desacreditar Donald Trump. Mas tudo foi por água abaixo. Ele venceu a eleição daquele 8 de Novembro que ficará para sempre na história americana, e quiçá mundial.
Figura imprevisível e destemida, Donald Trump teve um discurso racista e tratou de forma degradante as mulheres, mas, segundo a CNN, 42 por cento dos votantes em Donald Trump foram mulheres. Trump não só derrotou a mulher (Hillary Clinton) com quem concorria, mas angariou voto de muitas mulheres. Provavelmente estava certo no que dizia delas: “Às mulheres pode-se mesmo fazer-lhes tudo!”
Manda o protocolo que o Presidente eleito tem de tirar uma foto com o em exercício. Barack Obama, ou seja o casal Obama perdeu muitos pontos, foi de uma tacanhez sem par ao negar posar com o casal Trump. Mesquinhices para quê? Até parece a democracia moçambicana.
Seja como for, é imprevisível assumir o que Donald Trump será enquanto Presidente dos EUA. Trump não tem experiência política e nem militar anteriores, por isso custa estabelecer um modelo de comparação. O que se sabe dele é que é um brilhante homem de negócios, tem uma experiência inequívoca nesta área. De modo que se a máquina governativa americana estiver do seu lado, provavelmente fará da América grande demais.
Muitas pessoas odeiam Trump por causa dos seus discursos durante a campanha eleitoral. Mas os seus discursos logo após ao anúncio dos resultados foram bastante conciliadores e consistentes.
Também há os constrangimentos do sistema político americano e do contexto global – o presidente dos EUA é o Presidente mais poderoso no mundo, mas não é omnipotente. O próprio sistema americano delimita os seus poderes.
Trump, para ter uma melhor governação, vai ter de fazer acordos, chegar a entendimentos. É verdade que a construção do muro na fronteira com o México e a interdição de entrada nos EUA de refugiados muçulmanos não sejam questões para deixar de lado, mas o problema é: será que toda a América concordará?
Por que Trump ganhou?
Acompanhei atentamente as eleições americanas. As sondagens à boca das urnas mostraram que 60% dos eleitores não gostavam da personalidade de Trump, mas ainda assim quase 50% votou nele, o que significa que muitos que tinham essa percepção negativa, nem por isso deixaram de dar-lhe o seu voto.
Donald Trump foi estratega: apelou a uma faixa da sociedade dos EUA que se sente excluída, económica, cultural e politicamente. Há que salientar que o rendimento mediano nos EUA é hoje inferior ao de há 15 anos. A antiga classe operária branca e as pessoas das zonas rurais sentem-se deixadas para trás, sentem que há uma elite de altos rendimentos, a viver em casas sumptuosas.
Trump soube usar isso muito bem quando disse que aqueles que não têm voz, agora vão ter voz. Há um sentimento de exclusão cultural com toda uma série de pessoas a pensar que não tem nada a ver com aquelas que ditam as modas, aquelas que aparecem nas séries, nos filmes, nas publicações, na música.
Hillary, ao aparecer ao lado dessas pessoas, veio ainda reforçar a imagem que o mundo dela não é o mundo dos que se sentem excluídos, uma realidade que se estende ao campo político. Fica a ideia de que há uma elite ligada ao dinheiro e que actua na política. Por isso, Trump nos últimos tempos da campanha insistiu na ideia de que “vamos esvaziar o pântano”.
Há que aprender de novo, reiventar a comunicação política. Eu, Nini Satar, felicito ao Presidente eleito dos EUA: parabéns Donald Trump, os códigos de bombas atómicas são todos seus.
Nini Satar

 

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