Último mês de Obama na presidência dos EUA

Sob a liderança de Barack Obama, os Estados Unidos da América (EUA) intervieram em muitas guerras. Outrora candidato contrário à guerra, hoje envolvido em mais teatros de guerra que seu antecessor, George W. Bush.
Obama foi aplaudido pelo mundo quando tirou mais de cem mil soldados americanos do Iraque. Era pura fachada, porque aos poucos iniciou um retorno para lá. O que Obama fez foi evitar a guerra convencional total, enquanto adoptava o admirável mundo novo dos ataques com drones e batalhas com substitutos.
Ele defendeu a diplomacia sobre a mudança climática e a proliferação nuclear e derrubou muros em Cuba e em Mianmar, mas também fracassou repetidamente em negociar uma pausa duradoura nos mais de seis anos de chacina na Síria.
Muitos consideram as políticas de Obama uma correcção infeliz da guerra do Iraque na era de George W. Bush.
Obama ordenou ataques de drones no Paquistão, Iêmen, Líbia, Somália e Síria, que mataram civis e instigaram tensões nesses países e em toda a comunidade internacional.
Sobre guerra na Líbia
Barack Obama admitiu que o maior erro de sua administração foi não planear o resultado da intervenção na Líbia. Para ele, a maior falha de seu Governo foi não ter um plano para o que aconteceria após a intervenção liderada pela OTAN na Líbia.
Putin e Kadaf
Ele admitiu que a situação na Líbia, após o derrube de Muammar Kadhafi, virou uma autêntica confusão. Hoje, a Líbia vive estado de tumulto desde o movimento conhecido como Primavera Árabe, em 2011, que mais tarde levou a uma guerra civil e à derrubada de Kadhafi por extremistas islâmicos apoiados pelo ocidente.
O Governo Obama apoiou o uso de ataques aéreos na Líbia para garantir que rebeldes derrubassem Kadhafi após uma revolta em 2011. Desde a morte do ex-líder líbio, a influência de extremistas islâmicos no país vem crescendo constantemente.
Alguns críticos sugeriram que eram os recursos — não preocupações democráticas ou humanitárias — o verdadeiro impulso para a intervenção na Líbia. A Líbia de Kadhafi, apesar de sua população relativamente pequena, era conhecida por possuir vastos recursos, particularmente sob a forma de reservas de petróleo e capital financeiro.
A Líbia é um membro da OPEP e um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Antes da guerra, produzia cerca de 1,6 milhões de barris por dia, quase 70 por cento deles através da empresa estatal National Oil Corporation. Além disso, o fundo soberano do país, o Libyan Investment Authority, era um dos maiores do mundo, controlando activos no valor de aproximadamente 56 biliões de dólares, incluindo mais de 100 toneladas de reservas de ouro do Banco Central da Líbia.
Muamar Kadhafi
General e político líbio (9/1942-). Nasce em Sirte, segue carreira militar e aos 23 anos torna-se oficial pela Academia Militar da Líbia. Em 1969 lidera um golpe militar que derruba a monarquia pró-Ocidente da Líbia, comandada pelo rei Idris I.
Kadaf
Até 1977 preside o Conselho do Comando Revolucionário da Líbia. Confisca os bens das comunidades italiana e judaica, nacionaliza empresas estrangeiras e impõe uma ditadura militar. Em 1977 torna-se secretário-geral do Congresso Geral do Povo – único partido reconhecido pela Constituição promulgada naquele ano – e presidente do país.
Combina nacionalismo extremado com radicalismo religioso, defendendo um socialismo islâmico. Partidário da união dos países de língua e civilização árabes, empreende uma política de intervenção, sobretudo nos países africanos. Em nome da causa palestina, patrocina acções terroristas no Oriente Médio e na Europa.
Em 1991, os líbios são acusados do atentado a bomba que em 1988 explodira um jato da Pan American em Lockerbie, na Escócia, matando 270 pessoas. O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) impõe embargo aéreo à Líbia. Nos anos 90, Kadafi modera a acção política.
Abre a economia ao capital estrangeiro, inicia privatizações e, a partir de 1993, combate o fundamentalismo islâmico, ao romper com o Irão, que apoia grupos extremistas. Em 1999, a ONU suspende as sanções e Kadafi visita a África do Sul, sua primeira viagem oficial ao exterior.
Kadhafi foi anunciado oficialmente como morto após o Conselho Nacional de Transição da Líbia dar uma nota à Al Jazeera. De acordo com algumas fontes, ele teria sido ferido nas pernas ou teria levado dois tiros no peito. Imagens de um vídeo amador mostraram o corpo ensanguentado de Kadhafi, ainda vivo, sendo carregado como um troféu em Sirte.
Jornais e portais de notícias pelo mundo também levantaram a hipótese de participação estrangeira na morte. Vladimir Putin, na altura primeiro-ministro russo, afirmou, sem mostrar qualquer evidência, que a morte de Kadhafi teria sido realizada por aviões americanos não-tripulados.
Nini Satar

 

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