Até quando a guerra na Síria?

As imagens mostram a realidade nua e crua do que a guerra é capaz de fazer. Ou seja, do que a ganância, o apego pelo poder pode fazer. O último cálculo publicado situava em 312 mil o número de mortos. Contudo, as estimativas foram variando ao longo dos cinco anos do conflito e consoante as organizações.
A guerra na Síria iniciou em 2011, o conflito passou rapidamente de um conjunto de manifestações violentas para uma guerra civil e, depois, para um conflito internacional onde os mais variados Estados e grupos se envolveram.
A guerra dizimou vidas humanas, destruiu tudo. Tomou proporções humanitárias tais que o mundo teve de se virar e concentrar neste pequeno país do Médio Oriente. Os avisos são muitos e a urgência para a resolução deste conflito é cada vez maior. Isto porque apenas se sabe que as pessoas na Síria morrem ou vêem as suas casas destruídas e fogem. Foi da Síria que mais contribuiu para a maior vaga de refugiados na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, o número exacto de mortes provocadas pela guerra é desconhecido.
Escombros
As Nações Unidas, por exemplo, deixaram de calcular o número de vítimas em 2014. Até então, e numa altura em que os conflitos duravam há três anos, a ONU contabilizava 250 mil mortos. Em Abril deste ano, colocava-se o número de mortos nos 400 mil. Outros arriscam que a guerra tenha matado 470 mil pessoas e acrescentava dois milhões feridos – ou seja, 11,5% da população da Síria morreu ou ficou ferida.
Alguns dizem que a maior causa de morte durante a guerra são os disparos, com cerca de 56 mil mortos; os bombardeamentos em terra (os morteiros, por exemplo, provocaram quase 33 mil mortos); os bombardeamentos aéreos, que mataram, calcula-se, quase 30 mil pessoas; e as execuções, com mais de nove mil mortos estimados.
Alepo, uma das grandes cidades da Antiguidade, centro económico e comercial, que todos os anos atraía milhares de turistas., agora está irreconhecível. É uma cidade fantasma.
Durante séculos, e até ao início do conflito em 2011, a metrópole foi a capital económica do país. Um importante centro cultural que atraía turistas de todo o mundo para admirar os locais históricos, vestígios de numerosas civilizações que se sucederam numa das mais antigas cidades do mundo.
Hoje só são visíveis gatos errantes nas ruelas cheias de escombros da Cidade Velha, declarada Património Mundial da UNESCO.
Desalojados de Guerra
Iniciada como uma tentativa da oposição para destituir o Presidente Bashar al-Assad do poder para posteriormente instalar uma nova liderança mais democrática no país, a guerra acabou sendo uma catástrofe. O Governo sírio diz estar apenas combatendo terroristas armados que desestabilizam o país.
A realidade mostrou que a guerra não era só luta pelo poder. O conflito acabou espalhando-se para a região, atingindo também países como Iraque e o Líbano, atiçando, especialmente, a rivalidade entre xiitas e sunitas.
Os Estados Unidos e a Rússia envolveram-se nesta guerra e combateram ao lado das forças leais a Bashar al-Assad. Alguns estudiosos afirmam que a agressão mediática e militar contra Síria está directamente relacionada com a concorrência global pelos recursos energéticos.
A Síria tornou-se alvo justamente por estar no meio do mais importante reservatório de gás do planeta. O petróleo foi a causa das guerras do século XX. Hoje estamos vivendo o surgimento de uma nova era: a da guerras do gás.
Nini Satar

 

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