Ainda sobre o assassinato de Valentina Guebuza

Ainda sobre o assassinato de Valentina Guebuza
Se ainda duvidava, a morte de Valentina Guebuza mostrou-me, inequivocamente, que somos uma sociedade dilacerada pelo ódio, pela intriga. Viu-se isso na reacção de muitos. E isto não deveria caracterizar o ser humano. Devíamos ter aproveitado esta infelicidade para mostrarmos a nossa maturidade como povo, como seres que pensantes.
Não faltaram pessoas que até exigiram-me para que colocasse no meu post anterior, fotografias de Valentina Guebuza morta. Acho que mesmo neste post não vão faltar sugestões sobre a sua foto dentro do caixão. A isso chamo de pobreza mental.
Ao escrever o que escrevi no post passado, não foi com o intuito de escovar Armando Guebuza, fi-lo para mostrar que sei ser superior a intrigas, a querelas. Em momentos de dor, como a da perda de alguém, devemos nos solidarizar com a família do malogrado.
Alguém acha justo aproveitar a desgraça alheia para reacender ódios? É pena porque esse mesmo povo que vocifera o seu ódio a partir da morte de Valentina Guebuza, jamais foi às marchas pacíficas convocadas pela sociedade civil em repúdio aos sucessivos Governos da Frelimo. Mesmo quando Armando Guebuza era Presidente da República.
Muitos sabem que a residência oficial de Armando Guebuza é na Friedrich Engels. Nunca marcharam até lá para exigir o que quer que seja. Acobardam-se. Escondem-se nas redes sociais para vomitarem o seu ódio. É assim que julgam que farão a revolução? A revolução não se compadece com cobardes. Precisa de homens fortes capazes de enfrentar quaisquer adversidades. Não vejo isto nos que insultam nas redes sociais.
Velório de Valetina Guebuza
Rir da desgraça alheia, em qualquer parte do mundo, é falta de urbanidade. E por incrível que pareça, muitos dos autores desses insultos parecem ter se esquecido do básico: a morte não só atinge a família de Guebuza. Se existe uma coisa certa nesta vida, é de que todos, sem excepção, morreremos. Ninguém sairá vivo desta vida!
Os que até quiseram ser um pouco “adultos”, mandaram-me mensagens no inbox e no meu WhatsApp dizendo que não devia ter escrito aquilo. Por que não devia ter escrito? Que culpa há em querer ser solidário, em mostrar as minhas fraquezas como ser humano?
De que o pai da Valentina, o senhor Armando Emílio Guebuza, é uma pessoa que alimenta ódios e paixões não é dúvida para ninguém. Mas o pior é fazer do momento da morte da sua filha uma ocasião para despejarmos o nosso ódio. Não deveria ser típico do ser humano rir da desgraça alheia. A morte não só atinge dirigentes da Frelimo.
Eu, Nini Satar, muito provavelmente sou dos mais defensores da causa do povo. Mas não me vou aproveitar duma desgraça como esta para libertar o meu fel. Em momentos desses tem que haver reconciliação. E já imaginaram se Mandela, quando ascendeu a chefe de Estado, tivesse mandado perseguir todo o bóer na África do Sul, em nome das atrocidades que os bóeres cometeram contra os negros sul-africanos nos tempos do Apartheid? Instalava-se o caos, a selvajaria. Ele soube estar à frente do seu tempo, gerir uma nação tão dividida como nunca. E hoje lá estão. Coabitam nos mesmos espaços. Abraçam-se.
Casal Feliz
Com isto não sugiro que se deve ou não perdoar ou esquecer o ódio contra Armando Guebuza. Deve-se, sim, ser-se solidário no momento da dor. A nossa luta, a luta do povo, não vai ser vencida desta forma. Mostramos, enfim, que não dispomos de argumentos suficientes para vencermos uma guerra. O ódio cega. Não ajuda a raciocinar. Pena que tenha acontecido isto de forma colectiva.
E pobre do cobarde de Zófimo Muiuane porque seja qual for o motivo que o fez disparar quatro tiros contra a mulher que jurou amar, proteger, devia ter antes ponderado. É da natureza humana separar as águas. Agora, há-de amargar na cadeia. Não acompanhará o crescimento da sua filha menor. E na eventualidade de um dia sair vivo da cadeia e encontrar-se com a sua filha, o que dirá a ela? Que justificação plausível dará à sua filha? E ela, não se esqueçam, crescerá sem mãe e pai. E no dia do seu provável reencontro, terá quase trinta anos, uma mulher feita…
Nini Satar

 

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