Abaixo a violência doméstica em Moçambique!

Sou sensível à violência doméstica, porque parto de princípio que o diálogo ainda é a chave-mestra. Ultimamente, em Moçambique, são reportados vários casos de violência doméstica, mas a pergunta é: quantos deles são julgados?
Se a imprensa, nos últimos dias, fez manchetes com os casos de Valentina Guebuza e Josina Machel, é porque são filhas de quem são. Quantas mulheres moçambicanas, sem apelidos sonantes, são violentadas todos os dias pelos seus esposos? Quem reporta o que passam essas cidadãs anónimas?
Aqui, o que está em causa não é saber se efectivamente Valentina e Josina sofreram ou não a violência doméstica. O importante é debater este fenómeno hediondo e procurar mecanismos para que seja resolvido e se possível extingui-lo.
Existem vários mecanismos de encarar os dissabores conjugais. Aliás, não há nada que uma boa conversa não possa resolver. Violência gera violência. Diálogo gera diálogo. Apelo a todos os cidadãos anónimos, meus compatriotas, para que pautem sempre pelo diálogo. Dialogar é demonstrar urbanidade, polidez e, acima de tudo, uma forma saudável de resolução de qualquer conflito.
Violência domestica
E este meu post não só se centra na violência doméstica contra a mulher. É verdade que, segundo algumas estatísticas, ela é a principal vítima. Contudo, já vimos homens que reclamam das mesmas atrocidades. As nossas televisões já difundiram exemplos tais.
Quando a relação conjugal se torna insustentável, o caminho a adoptar é o da separação. É uma forma adulta de resolver as diferenças. Havendo filhos, o importante é continuar a amá-los, educá-los e transmitir melhores ensinamentos para que eles sejam melhores que os pais amanhã. Assim estaríamos a contribuir positivamente à construção da sociedade futura.
Antigamente tínhamos a Alice Mabota e Maria Sopinho, sempre solícitas, para falarem da violência doméstica nas nossas televisões. Agora é só silêncio. Imaginam, meus caros amigos, o que deve acontecer em muitos lares nas recônditas zonas deste vasto Moçambique onde a mulher não tem voz? Onde não existe imprensa nenhuma?
Não existe nenhum ciúme, seja ele por parte da mulher ou do homem, que não possa ser vencido por uma boa conversa. O que acontece com muitos casais é que depois do casamento acaba a amizade, o companheirismo, o diálogo permanente. Nem me vou atrever a perguntar quem dentre nós ainda oferece flores à sua amada!
Mesmo com diálogo permanente, a separação pode existir. Mas há-de ficar a amizade entre o antigo casal. Há-de ser bonito de ver. Na eventualidade de existirem filhos, julgam que eles não iriam gostar de saber que os pais, mesmo separados, mantém um respeito mútuo? Isto constrói-se e é preciso que haja entrega de ambas as partes.
Abaixa violencia
O Zófimo Muiuane que hoje amarga na cadeia, se tivesse seguido o caminho do diálogo não teria sido melhor? Provavelmente salvava o seu casamento. E mesmo que viesse a se separar de Valentina Guebuza, iria acompanhar o crescimento da sua filha. Matou. Foi preso. Nunca mais verá a filha crescer. Acham que ganhou alguma coisa?
Sabem o quão bonito é acompanhar o crescimento dos nossos filhos? Os primeiros dentes. As primeiras palavras. O gatinhar. O primeiro passo titubeante: Zófimo perdeu tudo isto!
E quantos Zófimos temos neste Moçambique afora?
Abaixo a violência doméstica!
Nini Satar

 

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