Descalabro na Peróla do Indico!

Esta crise já atingiu o zénite. Desde a tomada de posse de Filipe Nyusi que Moçambique vive dias de facas longas. Tudo o que o Presidente da República toca, alimenta leituras conspiratórias. Ele é o antónimo do Rei Midas!
As eleições autárquicas de 2018 (a Renamo já garantiu a sua participação) serão uma espécie de antecâmara do que vão ser as presidenciais e legislativas. Creio eu que esta vai ser a ocasião para o povo descarregar toda a sua fúria. Definitivamente isto já não está a dar…
Se o Governo ainda se aguenta no poiso é porque o povo ainda sabe se controlar. Ou melhor, é graças à timidez desse mesmo povo. O povo moçambicano reclama em surdina. Nunca vai à rua. Chora em voz baixa. Quem ouvirá que o bebé quer mamar?
Até ontem (não sei se houve avanços), o Governo ainda não se havia pronunciado se continua ou não a subsidiar as panificadoras. Se não o fizer, já imaginam o que será do pão amanhã. Não há batata doce ou mandioca que aguentem. A ausência do pão em muitas famílias moçambicanas vai ser um golpe fatal. Vai abrir precedentes jamais vistos.
E tudo acontece em cadeia. Agora temos o problema da escassez dos combustíveis. O Governo vai dizendo o politicamente correcto com os seus paliativos. A ruptura do stock dos combustíveis vais arrastar consigo vários problemas. Há-de ser o salve-se quem puder.
Pode ser que desta feita, o Governo até consiga normalizar o problema, mas jamais será a cura definitiva. O problema é muito mais complexo e tem rosto: falta de dinheiro. Todos os produtos que nos eram dados a título de empréstimo, zás…já não nos dão mais. Não temos idoneidade suficiente na praça pública. Somos caloteiros e piorámos a nossa situação ao não pagar os pouco mais de 59 milhões de dólares de dívida da Ematum. Este valor é irrisório para um Estado. Isto é ridículo.
Os combustíveis existem ai à balde, mas requerem dinheiro. A importação de combustíveis depende da emissão por parte da banca de garantias bancárias em milhões de dólares. Quando a banca não emite tais garantias, não há combustíveis. Julgo que até aqui se pode perceber que o problema tem tentáculos enormes.
Amanhã vai ser o “chapa” que vai subir. Há-de ser aquele dono do “My love” que transportas as senhoras das verduras a subir a tarifa. Há-de ser o limão transportado de Gaza para Maputo que será caro…
My love
Quisera eu que o meu Moçambique tivesse tido outra sorte. O recente relatório sobre os índices da corrupção revela que Moçambique caiu 30 lugares. Isto é constrangedor. Nenhum investidor sério mete o seu dinheiro num país como este.
Com essa porcaria de dívidas ocultas, Moçambique vendeu cara a sua imagem extramuros. É caloteiro. Não merece confiança de ninguém. Oxalá a auditoria da Kroll dê outro rumo ao meu país. Será que haverá justiça? Os que comeram o dinheiro dos moçambicanos serão punidos? Tenho as minhas dúvidas. A nossa justiça ainda é serviçal do poder político. Lambe-lhe as botas. E os suspeitos são figuras de peso…
PS: Alguém me sabe dizer em que pé está o escândalo da compra dos aviões pela LAM? Há muito que já não há fumaça….
Nini Satar

 

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