Ontem, hoje e o futuro: o perigo das tecnologias!

Não pretendo, com este post, dar uma de sabichão. Só quero alertar para o perigo do uso da tecnologia por crianças e adolescentes. Por outro lado, este não é nenhum artigo académico, resulta das leituras que tenho feito às horas vagas.
Hão de convir muitos dos que têm mais ou menos a minha idade que ontem a infância era diferente, quiçá saudável. As crianças brincavam na areia, iam ao jardim zoológico, faziam-se ao baloiço…ou seja, havia brincadeiras típicas da traquinice e sempre os pais estavam por perto à vigia-las.
Os adolescentes jogavam à bola, nos cinemas havia filmes para todos, isto para crianças que ainda não haviam completado 12 anos de idade. Quando se crescia havia dificuldades típicas daqueles tempos em engatar a primeira namorada. Por isso que muitos rapazes escreviam cartas de amor, presenteavam à pessoa amada com qualquer coisa simbólica e o amor era verdadeiro.
Poucos rapazes (mesmo raparigas) eram dados ao álcool, cigarros, drogas, prostituição e tantos males que enfermam a sociedade moderna. Atenção, não disse que não havia drogados ou prostitutas, mas não era de forma tão vulgar como acontece hoje. De certeza que muitos de nós, mesmo que seja meramente de passagem, já puderam ver o que acontece na rua do Bagamayo. É, sem dúvida, Sodoma e Gomorra: crianças e adultos fornicam ao ar livre sem nenhum pudor. É uma lástima e um perigo à vista para a formação do homem de amanhã.
Vejam bem: com o advento das tecnologias muita coisa mudou. Há quem diga que todos os extremos costumam fazer mal a quem adopta tais hábitos, como o excesso ou a falta de alimentos e de água, o excesso de velocidade com o carro. Com a evolução da tecnologia e a facilidade de acesso a ela, um novo questionamento surge em casa: qual o risco dessa crescente exposição aos dispositivos de mídia?. Tablets, notebooks, TVs, celulares… Todos os equipamentos são parte da nossa vida, mas podem e precisam ser melhor utilizados por nossas famílias.
Quantas mães ou pais deixam as suas crianças a chorar só porque estão a “whatsappar”, no facebook? E quantas crianças e adolescentes deixam de fazer o TPC por causa das tecnologias?
Antigamente os adolescentes andavam com livros de banda desenhada, aprendiam a ler e a escrever. Eram os almanaques de Patinhas, onde se descobria a avareza do Tio Patinhas, as trapalhadas do Pato Donald, as incursões do Gastão à conquista da Margarida, o rato Mickey e o seu amigo Pateta sempre a darem uma de detectives, os irmãos Metralha…
Depois havia o Lucky Luke, as aventuras de Asterix, os romances cowboy, da colecção Seis Balas. Era uma época memorável. Os namoros eram sérios. Não havia dinheiro em jogo ou bens materiais. O Dia dos Namorados tinha peso. Sentava-se no banco da praça com a pessoa amada, ia-se ao cinema. Era o sorvete, os bon- bons…
Há dias estava a ler qualquer artigo científico. Aprendi que crianças têm facilidade de adaptação e aprendizado; na verdade, elas interagem mais rapidamente com a tecnologia, porque, muitas vezes, encontram os adultos fazendo uso desses equipamentos e aprendem por observação.
Seja como for, pesquisas científicas mostram um aumento no risco de vários problemas emocionais e neurológicos frente ao uso superior a quatro horas diárias dessas tecnologias. Quanto menor a idade, menos tempo é indicado para o uso de tecnologias. Mas o que encontramos é uma realidade bem diferente dessa.
Mundo virtual
Tais pesquisas revelam que os principais prejuízos são: sensação de solidão, depressão, obesidade, ansiedade, baixa auto-estima e aumento de agressividade. As pesquisas, em diversas universidades de renome, indicam que boa parte dos adolescentes que costumam passar muito tempo conectados sentem desânimo, tristeza ou depressão pelo menos uma vez por semana. Este sentimento de vazio pode ser potencializado em uma casa onde todos, nos momentos de possível convivência, encontram-se “conectados” e “isolados” em seu “mundo”.
Todos, em casa, estão com seus celulares, tablets e computadores, muitas vezes, num mesmo ambiente, mas com “zero interacção”. Não existem jantares e conversas à mesa. Pouco se fala. Eles não contam suas histórias de vida, não falam sobre o que se passou com eles naquela semana e coisas do tipo.
Estudos mostram que o cérebro super- exposto a essas tecnologias pode ter um déficit em seu funcionamento tanto em execução quanto em atenção, pode sofrer com atrasos no aprendizado, raiva expressiva, maior impulsividade, dificuldade de concentração dentre outros.
Apontam, contudo, para o seguinte: o caminho não é a proibição do uso, mas a consciência dele e sua adequação para cada faixa de idade, lembrando que o apego ao uso de tecnologia pode levar a prejuízos desnecessários. Carinho, amor, interacção social, contacto e outras actividades fazem parte do nosso desenvolvimento saudável.
Nini Satar

 

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